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[Tutorial]Jornalismo On- Line-parte 1

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[Tutorial]Jornalismo On- Line-parte 1

Mensagem por Marcelo Rezende em 12/9/2009, 13:00

Introdução ....................................................................................
O Perfil do Novo Jornalista...............................................................
O Jornalismo na Era Digital ...........................................................
O Início do Jornalismo On-Line........................................................
Estudando o Público-Alvo ...............................................................
A Credibilidade e o Jornalismo On-Line............................................
O Jornalismo Semi-Profissional ......................................................
O Jornalista On-Line .....................................................................
Características do Jornalista On-Line...............................................
O Arquivo de Notícias ...................................................................
Agenda de Pautas ........................................................................
Listas de Debate ..........................................................................
Ferramentas Úteis da Tecnologia....................................................
Viajando com o Notebook – Dicas Úteis...........................................
O Jornalismo Online complementando o Impresso ............................
Como preparar Jornais Online para notícias Urgentes........................
Um caso de Sucesso – O Jornalismo Online na Rússia .......................


Última edição por Marcelo Rezende em 12/9/2009, 13:53, editado 3 vez(es)
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Introdução

Mensagem por Marcelo Rezende em 12/9/2009, 13:02

O ano de 1995 marcou a entrada definitiva da
Internet no Brasil. De lá para cá, a rede cresceu
vertiginosamente e continua em ritmo de expansão
acelerada. Segundo dados do Comitê Gestor Nacional, o
crescimento da rede aqui é duas vezes maior que a média
anual no mundo. Os computadores ligados à Internet no
Brasil também não param de crescer e no continente
americano o país só perde para os Estados Unidos.
Este crescimento exponencial da Internet no Brasil
fez com que a iniciativa privada se interessasse pelo
imenso potencial da rede enquanto instrumento de
marketing e geração de receitas, o que ocasionou um número cada vez maior de
investimentos em projetos voltados para o comércio online. No setor jornalístico a
situação não poderia ser diferente. Os grandes grupos editoriais brasileiros perceberam
que a Internet representa um mercado em expansão, que pode ser bastante lucrativo quando
estiver consolidado. Empresários e editores brasileiros estão investindo cada vez mais no
desenvolvimento de serviços para a mídia online e na produção de publicações digitais para
a Web.
As primeiras versões eletrônicas dos principais jornais nacionais começaram a
aparecer na Web em 1995. Naquela época, os sites eram bastante simples em termos de
design e exploravam muito pouco os recursos de hipertexto, interatividade e multimídia,
limitando-se basicamente a transpor o conteúdo da edição impressa para a versão
eletrônica. De lá para cá, muitos investimentos foram feitos na Internet brasileira por
empresas da área de jornalismo preocupadas em aprender como operar corretamente na
mídia digital. Os jornais e revistas nacionais na Web multiplicaram-se rapidamente e aos
poucos foram incorporando as principais tendências e inovações do setor de editoração
online. Hoje, as publicações brasileiras na Internet já chegam a mais de 500 mil e embora
um número cada vez maior de jornais e revistas do mercado editoral brasileiro esteja
entrando na rede, este crescimento se deve, em boa parte, à iniciativa de publicadores
independentes que investem em projetos exclusivos para a mídia online.
Depois de acessar algumas das mais premiadas publicações online no mundo –
como os americanos New York Times (http://www.nytimes.com), Chicago Tribune
(http://www.chicago.tribune.com) e Mercury Center (http://www.sjmercury.com) – e de
pesquisar os principais jornais brasileiros na Internet, foi possível observar os erros mais
comuns, as experiências de sucesso e as tendências para o futuro no setor de Jorrnalismo
Online.
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O Perfil do Novo Jornalista

Mensagem por Marcelo Rezende em 12/9/2009, 13:04

Jornalistas que começam agora nem percebem que
os mais antigos viveram uma realidade completamente
diferente. A divisão do trabalho era outra e a relação com a
tecnologia muito menor.
O avanço tecnológico ocorrido principalmente a
partir das décadas de 80 e 90 modificou, profundamente, o
perfil dos profissionais que trabalham com informação,
como jornalistas, relações públicas, publicitários, bibliotecários, administradores de
empresa, cientistas da computação e designers.
Se, por um lado, o advento da internet comercial abriu um novo campo de trabalho
para os jornalistas, por outro, exige o crescente domínio de novas habilidades e
competências tecnológicas e a atualização constante desses conhecimentos.
Há duas décadas o computador era visto como uma ferramenta capaz de agilizar
processos, armazenar dados e informações e realizar cálculos matemáticos e estatísticos
rapidamente. Hoje, além de tudo isso, ele tornou-se uma central de informações em rede,
cujas páginas de web, acessadas por seu intermédio, envolvem, em seu desenvolvimento e
manutenção, profissionais oriundos das áreas de tecnologia, comunicação, marketing e
administração. Imaginem uma redação de jornal online dos dias de hoje e comparem-na
com uma redação de jornal impresso das décadas de 60 e 70.
A preocupação principal do repórter daquela época baseava-se na apuração da
notícia e na sua diagramação na página. Hoje, o repórter não só apura a notícia como, na
maioria das vezes, ele mesmo a publica na internet, com o auxílio de softwares editores de
conteúdo. Além disso, ele precisa interagir com os designers e programadores, quando
surge a necessidade de criar algum sistema para a página. Mudaram bastante a apuração e a
pesquisa, que agora é feita pela própria rede, além dos contatos para entrevistas, que na
maioria das vezes é feito por e-mail, além do velho e bom telefone.
Assim, não somente no jornalismo, mas em todas as outras áreas já citadas aqui e
em muitas outras, a relação profissional-tecnologia é um binômio inevitável. O
profissional da informação de hoje precisa, mais do que nunca, se adaptar a essa nova
realidade e conviver com o avanço tecnológico.
Uma das palavras mágicas do mercado, atualmente, é a polivalência ou
versatilidade. Isso não significa que devemos “atirar para todos os lados”, ou sair do nosso
viés principal que é o jornalismo, mas sim precisamos ser capazes de lidar com diferentes
situações profissionais, de entender um pouco de cada área afim e, principalmente, de ter capacidade de adaptação às mudanças. Uma nova tecnologia que chega, uma nova gerência
que assume, duas empresas que se fundem etc.
Mas evolução profissional à parte, não devemos nos esquecer de que a origem da
nossa profissão é a palavra, é o texto. Utilizamos ferramentas tecnológicas que são
fantásticas, que operam maravilhas em nossas páginas impressas e eletrônicas. Mas não nos
esqueçamos de que essas ferramentas são apenas instrumentos meio, que nos ajudam a
atingir o objetivo maior, que é transmitir a informação de forma clara, objetiva e,
sobretudo, com credibilidade e qualidade.
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Real Time

Mensagem por Marcelo Rezende em 12/9/2009, 13:06

Talvez seja um choque para você,
mas o "real time" não nasceu com a
internet...
Em 11 de Setembro de 2001, quando
o avião se chocou contra a primeira torre,
Elisa estava trabalhando em casa, a tevê
ligada. A programação foi interrompida, e a
bióloga girou a cadeira, ainda sem entender
o fogaréu que saía do World Trade Center.
Ficou alguns segundos apática, até que
pulou de sopetão e soltou um berro:
- Credo!
Neste mesmo instante, seu filho Joca acessava, no quarto, todos os sites noticiosos
que podia, em busca de qualquer nova informação. Foi então que o outro avião arrebentou
com a segunda torre. Os dedos pararam no teclado, e ele sussurou alguma coisa que parecia
ser...
- ... meu Deus...
Elisa e Joca se esbarraram no corredor, trocaram um rápido "já soube?", e foram até
a cozinha - não sem antes formar um rápido conselho de família.
- Antes que sua vó saiba o que está acontecendo, é melhor prepará-la. Um acidente
horroroso como este choca qualquer um, ainda mais...
- Que acidente, o quê! Foi ataque terrorista, gente!
Os dois olharam para a porta da cozinha, e Dona Carlotinha descascava batatas
tranquilamente.
- Em que planeta vocês estavam? Estou com meu radinho ligado há um tempão e
eles entraram direto de Nova Iorque. Ah: e caiu outro avião em Washington.
Elisa e Joca ainda tiveram tempo de se imaginar como dois seres de uma estranha
era jurássica ao inverso, antes que a boa vovozinha desse a punhalada final:
- Desliguem a televisão e o computador! O mundo tá terminando e vocês nem para
economizar energia, meu povo! Meu radinho é a pilha, sabiam?
Ainda nos orgulhamos do jornalismo online como ápice do esforço de apuração. No
Everest da Comunicação, está fincada a bandeira do "tempo real" da internet, quando
deveríamos perceber que, ao lado, tremulam há tempos as bandeiras do rádio e da televisão.
Noticiário em "tempo real" - ou "real time" - não é, nem nunca foi, o grande avanço
do jornalismo online. O século XX consagrou este estilo mais do que necessário de
apuração, e que mudou para sempre a face do Jornalismo. Vamos deixar bem claro desde
já: O Jornalismo Online não vai substituir o Jornalismo convencional de Rádio e TV.
Nesta cadeia evolutiva, temos um fantástico campo a explorar, e o horizonte vai
muito além do - indispensável, diga-se de passagem - "real time".
O jornalismo online é diferente porque:
- Traz persistência à notícia. A notícia da TV, do rádio ou do impresso são voláteis,
se esvaem no ar. Você viu e ouviu - mas passou, ou então virou embrulho de pão. Na
internet ela permanece, e se expande, novos aspectos são agregados e criam-se células de
informação, como minúsculas agências de notícias específicas sobre um determinado
assunto. Eternas, se necessário.
- É ferramenta para pesquisa. Se o grande "The New York Times" constatou de que
o conteúdo mais acessado é sempre o banco de notícias - em bom português, a "notícia de
ontem" -, é hora de nos preocuparmos com o que já foi destaque na primeira página e hoje
está acumulando poeira nos porões dos nossos sites. Atualmente, parte da receita do New
York Times é obtida vendendo o acesso para notícias muito antigas. Acredite: Há quem
pague por elas.
Curioso que, no suposto reino do "real time", seja o Passado que garanta um Futuro
glorioso - e não o Presente.
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O Jornalismo na Era Digital

Mensagem por Marcelo Rezende em 12/9/2009, 13:07

O advento de um novo
ambiente comunicacional,
multimidiático, está alterando um
modelo que por muito tempo orientou
a comunicação de massa. As atuais
tecnologias de comunicação - a mídia
impressa, o rádio e a televisão -
distribuem informação baseadas no
modelo de "um para muitos". O
desenvolvimento da tecnologia de
transmissão digital de dados via redes
de computadores opera uma
modificação no modelo de comunicação vigente: a audiência, além de ter acesso a um
maior número de informações de maneira rápida e diversificada, passa a poder produzir e
disponibilizar suas próprias informações nas redes de comunicação.
Embora essa transformação no modelo comunicacional esteja no início e as pessoas
ainda tenham uma relação pouco interativa com o meio digital, as mídias tradicionais já
perceberam que estão diante de um quadro novo e que é preciso investir em novas
tecnologias para acompanhar o ritmo das mudanças (a TV Digital é uma delas). Hoje,
as mais importantes companhias jornalísticas no mundo possuem Web sites com versões
digitais de seus principais produtos editoriais e a tendência é que estas empresas ampliem
seus investimentos no setor de mídias interativas.
A entrada de jornais e revistas na Internet inaugura um novo veículo de
comunicação que reúne características de todas as outras mídias e que tem como suporte as
redes mundiais de computadores. O jornalismo digital representa uma revolução no modelo
de produção e distribuição das notícias. O papel vai cedendo lugar a impulsos eletrônicos
que podem viajar a grandes velocidades pelas auto-estradas da informação. Estes bits
podem ser atualizados instantaneamente na tela do computador na forma de textos,
gráficos, imagens, animações, áudio e vídeo; recursos multimídia que estão ampliando as
possibilidades da mídia impressa.
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O Início do Jornalismo On-Line

Mensagem por Marcelo Rezende em 12/9/2009, 13:09

As primeiras experiências de jornalismo digital se deram nos
Estados Unidos, nos anos 80, a partir de sistemas de videotexto
produzidos por empresas como a Time, Times-Mirror e a Knight-Ridder.
No final da década, com a ainda incipiente expansão da Internet, jornais
digitais eram mantidos por empresas de serviços online, como a
American Online e a Prodigy.
Em 1993, apenas 20 jornais estavam online, todos eles norteamericanos.
A Web é uma "teia" de proporções gigantescas que conecta banco de dados e
computadores espalhados por todo o mundo. 170.000 páginas estão surgindo na Web a
cada dia.
Os baixos custos de produção de um site na Web representam outro fator
determinante para o crescimento do setor de editoração online. Um número cada vez
maior de publicações de pequeno porte tem lançado suas versões eletrônicas na Internet,
disputando espaço com gigantes das companhias jornalísticas. Mesmo nos casos de
publicações de grande circulação, é mais barato produzir uma edição eletrônica do que o
seu equivalente impresso. Nos Estados Unidos, por exemplo, para lançar uma revista
mensal, de alcance nacional, gasta-se cerca de 15 milhões de dólares. Na Internet, este valor
cai para 100 mil dólares, com a vantagem de que ela estará acessível para todo o mundo.
Os sites noticiosos evoluíram bastante e passaram a explorar de forma mais
adequada e criativa os recursos da internet. As melhores publicações digitais hoje vão além
da simples transposição do conteúdo editado em suas versões impressas e disponibilizam
dados e informações complementares que ficaram de fora da edição em papel, além de
matérias exclusivas para a Web com links para outros sites, áudio, vídeos, animações e
outros elementos de multimídia. Além disso, nestas publicações, o leitor tem acesso a
bancos de dados, arquivos eletrônico com edições passadas, fóruns de discussão e sistema
de bate-papo em tempo real, mecanismos de busca em classificados online, notícias
atualizadas a todo o instante e uma série de outros serviços, só possíveis graças ao suporte
digital.
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Estudando o Público-Alvo

Mensagem por Marcelo Rezende em 12/9/2009, 13:11

Se o universo da Web não tem dimensões, o público
que acessa também não tem limites. Além disso, trata-se de
um mercado de trabalho que pode e deve ser ocupado por
profissionais especializados.
Na verdade, antes de discutir qual o melhor formato
ou a melhor linguagem para se escrever uma notícia, é
preciso saber quem é o seu público-alvo. Não qualquer
público, mas aquele que tem interesse no site que está
navegando, para o qual você desenvolveu seu trabalho.
O erro é acreditar que os usuários de internet formam um público basicamente
homogêneo, com perfis semelhantes, e que acessam a rede com o mesmo ritmo e mesmos
anseios. Uma pessoa assume diversos papéis em um só dia. Um jornalista navega para
saber sobre as últimas notícias, para fazer compras no supermercado, agendar um cinema
para o fim de semana e, às vezes, ainda precisa ajudar o filho em uma pesquisa escolar. Em
cada um destes momentos, ele acessa a Web com um objetivo diferente e quer encontrar na
internet uma linguagem adequada àquele momento.
O equívoco de uniformizar o público de um site é a raiz de alguns mitos que
circundam a cabeça de muita gente. Por exemplo, há quem defenda o uso irrestrito de
textos curtos e parágrafos com apenas X linhas. A justificativa para a recomendação é a de
que o internauta navega com rapidez e é difícil prender sua atenção. Será mesmo que um
design atraente e um conteúdo completo e informativo não são capazes de manter o
visitante por um bom tempo? Então não há espaço para reportagens especiais e mais
aprofundadas na internet? Artigos e ensaios, naturalmente longos (porque argumentativos),
não têm vez na Web? Ou será que são as suas necessidades que ditarão o tempo que você
precisa ficar conectado?
As respostas a essas provocações serão elucidadas quando o jornalista parar para
pensar em seu público. Antes de produzir o site, quem ele quer atingir e atrair? E, com a
página no ar, quem está realmente visitando? Serão sempre as mesmas pessoas? O que elas
procuram? São elas que determinarão a sua linguagem e a forma com a qual ele se
comunicará. Logo, faz-se necessário entender o público e montar o seu perfil. Mas como?
Três formas podem iniciar a solução do problema.
As ferramentas de comunicação são fundamentais para um conteudista compreender
seus visitantes. O e-mail assume vital importância: é o principal meio de comunicação entre
editor e leitor. Por meio dele, é possível traçar características dos internautas e até mesmo
corrigir falhas que antes eram imperceptíveis. Um e-mail pode detectar um erro na
arquitetura da informação. Ela pode não estar clara para o internauta como estava para a
equipe que a desenvolveu. Formulários de sugestões e comentários também são úteis.
Mais objetivos, os relatórios de visitação também trazem informações essenciais.
Horários de maior acesso, páginas do site pelas quais os visitantes entram (e saem) mais,
links de onde eles vieram contribuem para a montagem do perfil do público que mais
navega pela home-page. Por exemplo: se um site de saúde tem um número equivalente de
visitantes na área voltada para pacientes e na voltada a artigos científicos, é sinal que está
satisfazendo aos dois públicos e de forma correta.
Enfim, não podemos esquecer as tradicionais pesquisas de mercado, que buscam
avaliar os objetivos do visitante de um site com questionários e sondagens qualitativas e
quantitativas. Não vamos nos ater à forma com que as pesquisas devem ser feitas (por
telefone? E-mail? Pop-ups no próprio site?), mas registramos aqui a sua importância.
Vale ressaltar que as três modalidades de avaliação do perfil do público de um site
são importantes não apenas quando elas são implementadas, mas principalmente quando
seu resultado é interpretado adequadamente. A análise profunda e correta dos e-mails,
relatórios e das pesquisas são tão (ou mais) essenciais quanto a simples existência da
técnica de descrição do comportamento do visitante. Neste ponto, a internet consegue levar
uma ampla vantagem em relação aos veículos impressos, pois é possível fazer um
acompanhamento constante, desde que uma certa rotina de interpretação e observação seja
seguida.
O público-alvo é peça chave no sucesso de um site. Afinal, se a mídia impressa o
leva em consideração, por que a mídia online não pode fazê-lo? É em função do público
que será definida a linguagem do conteúdo. É possível, até, que seja constatado que
parágrafos curtos sejam o ideal para um certo tipo de site X. Se assim os visitantes do site
X o desejarem. O que não garante que os visitantes do site Y prefiram o mesmo estilo. Ora,
pessoas são pessoas. Todas são diferentes. E como contraponto à diversificação, resta a
adequação. Do site ao visitante.
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A Credibilidade e o Jornalismo On-Line

Mensagem por Marcelo Rezende em 12/9/2009, 13:13

Sempre tive a impressão de que credibilidade é palavra-chave
do jornalismo. Se você avalia que um veículo não é capaz de divulgar
uma notícia correta e isenta, então talvez seja melhor descartá-lo, e é
isso que a maioria das pessoas costuma fazer, mesmo
inconscientemente. Instintivamente, o espectador acaba selecionando
suas fontes de informação.
Na web, então, essa premissa não só é verdadeira como é reforçada pela
disponibilidade que o internauta tem em acessar os veículos de conteúdo. Em questão de
segundos – e de graça – um usuário pode visualizar dezenas de sites, mas na prática o que
acontece é que, mais cedo ou mais tarde, ele vai acabar se decidindo por dois ou três. Essas
páginas selecionadas vão para a pasta "Favoritos", e para tirá-las de lá ou para substituí-las.
Quando iniciei meu trabalho na Web, ninguém levava muito a sério o que se lia na
internet. Ela era muito mais um tablóide de notícias bizarras e de entretenimento do que um
veículo de notícias – não que já tenhamos superado isso totalmente. Mas hoje já é possível
ver um telejornal divulgando reportagens baseadas em informações "da versão eletrônica"
de algum periódico internacional.
Essa credibilidade que o meio digital vem ganhando acompanha o movimento
natural da evolução tecnológica. É lógico que quanto mais gente tiver acesso à internet, e
durante mais tempo, mais veículos tradicionais vão migrar para a web, e outros serão
criados, próprios para esse ambiente. É o caso de diversos jornais que atualmente contam
com redações separadas, para o meio digital e para o meio impresso (JB Online, Globo On,
Lancenet, New York Times, Wall Street).
É também curioso observar como essa tendência afeta as agências de notícias –
como elas estão se adaptando à velocidade do meio. Antigamente era muito comum um
editor receber pelo sistema de seu jornal artigos curtos, frequentemente com erros de
português, com o lead no pé e acompanhados por atualizações ao longo do dia. Naquela
época, quase sempre você recebia uma nota com o anúncio do fato, às vezes em uma linha,
e posteriormente mais informações. Ora, para um jornal impresso esse método é
perfeitamente funcional – o redator tem tempo para recolher todos os textos (ao longo do
dia) e estruturar seu artigo.
No jornalismo online, entretanto, supõe-se que o fato deve entrar no ar no momento
em que acontece ou, pelo menos, o mais rápido possível. É gritante ver, com isso, como as
agências incrementaram tanto a sua agilidade quando a qualidade de seus textos. Ainda é de
praxe o envio de atualizações, mas mesmo as primeiras matérias costumam ter um
conteúdo mais elaborado, com pelo menos quatro parágrafos e sem erros de português.
Justamente por isso, para os profissionais que trabalham nos portais de
jornalismo, o quesito velocidade x qualidade é cada vez mais cobrado. À medida que o
amadorismo vai ficando para trás, é exigido do jornalista da web mais eficácia. Ainda que
errar seja humano, pressa na publicação não é mais desculpa para cometer erros. Ausência
de revisores também não.
Assim, da mesma forma que a internet vem para agregar mídias, o jornalista que
trabalha no ambiente eletrônico também deve ser um agregador de funções. Ele apura
(repórter), escreve (redator), revê (revisor) e publica (editor), além de, por vezes, ter que
traduzir o texto de uma fonte internacional (tradutor).
E é agora que o ciclo encontra o seu fim – na qualidade. Se toda essa maratona for
feita de forma correta e isenta, o veículo marca o gol de placa da credibilidade, garante a
confiança do leitor e conquista o seu tão almejando lugar ao sol na preciosa pasta
"Favoritos".
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O Jornalismo Semi-Profissional

Mensagem por Marcelo Rezende em 12/9/2009, 13:15

A cada hora surge um novo termo nesse nosso mundinho do jornalismo online. Se
tais expressões não forem levadas tão a sério, suas utilizações podem ajudar a classificar
novos campos e formas de se trabalhar. Um desses termos, que vem sendo muito utilizado
por veículos de língua inglesa, é o "jornalismo semi-profissional" ("semi-pro journalism",
no inglês). Como assim?
A expressão diz respeito, entre outros, ao envolvimento e utilização de aspirantes a
jornalistas (leia principalmente estudantes universitários) em projetos colaborativos ou
coberturas jornalísticas. Óbvio, tudo com a supervisão de jornalistas ou professores de
jornalismo. Nada mal, pois, o que pode parecer mão-de-obra barata ou coisa do tipo, é um
estímulo a quem pretende levar a profissão a sério, sem se iludir, e está disposto a encarar
desde cedo os desafios do campo.
As empresas estão investindo em formar pessoas para trabalhar para elas. É um
processo onde quem souber lidar com toda essa técnica vai saber lidar com esse mercado.
Não é um processo só de barateamento de mão-de-obra, mas também de formar pessoas.
Isso tem muito a ver com o fato de que pouca gente domina e quem domina está na fase da
experimentação.
O novo termo pegou carona e ganhou força com a chamada Web 2.0, onde as
pessoas e a proposta de participação estão em primeiro plano. Isso sem falar nos recursos
que auxiliam na criação de redes de contatos e exploração da multimídia. Eles estão aí, na
mesa. É só se servir. Toda essa esfera que vemos diariamente, construída a partir da troca
de conhecimentos e da popularização de serviços como Flickr e YouTube, se espelha em
projetos sérios de jornalismo online semi-profissional, em projetos sérios de cobertura,
análise, reflexão e voz.
Há algum tempo, alguns projetos envolvendo jornalistas semi-profissionais e
tocados por empresas de mídia tradicionais vêm se mostrando realmente úteis para a
sociedade. Estou me referindo a projetos cidadãos que, na produção do conteúdo primário
(o que não envolve comentários ou outras formas de interação secundária), fazem uso de
grupos fechados, como, por exemplo, universidades. Alguns ganharam notoriedade e
merecem mesmo atenção:
Yoosk.com / City University
Na Inglaterra, o portal colaborativo
Yoosk.com, que vende a idéia de que você,
membro cadastrado, é um repórter em
potencial, juntou-se com a City University de
Londres para utilizar estudantes no processo
de produção de conteúdo noticioso. Os
universitários envolvidos com a empreitada
merecem bem o título de jornalistas
estudantes. O site encoraja também usuários
registrados a enviarem opiniões e questões baseadas nas notícias publicadas.
ESPNU Campus Connection
Emissora afiliada da ESPN e
especializada em esportes universitários, a
ESPNU começou a pedir ajuda de
estudantes, professores e departamentos
atléticos de 20 universidades para cobrir
seus respectivos jogos escolares. Nas
universidades dos Estados Unidos, alguns
esportes, como ginástica, basquete e futebol
americano, são levados muito a sério, tanto
que é comum esse tipo de cobertura
universitária pela grande mídia. A ação é também parte de um esforço da companhia para
utilizar mais conteúdo gerado pelo usuário. Nesse contexto, a emissora estava à procura de
estudantes que pudessem fazer vídeos de jogadas, análises e reportagens. O conteúdo
gerado pode vir a ser utilizado entre todos os sites e canais da ESPN, incluindo a ESPN2
(emissora irmã da ESPN principal, voltada para uma geração mais jovem de fãs de
esportes), ESPN360.com e ESPN magazine.
É esperado que projetos de grande porte nesse sentido ganhem força aqui no Brasil.
Melhor que criticar o uso de estudantes em reportagens, coberturas jornalísticas e
processos de construção de notícias, é enxergar projetos de jornalismo semi-profissional
como uma ferramenta com grande potencial para instruir, guiar e formar novas pessoas que
vão lidar diariamente com tratamento de informação.
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O Jornalista On-Line

Mensagem por Marcelo Rezende em 12/9/2009, 13:18

Vamos falar agora sobre o centro deste curso: O Jornalista Online. Ele precisa se
organizar para trabalhar tanto dentro da web quanto fora dela. Nunca se sabe quando vamos
ter que acionar alguém ou alguma empresa pelo telefone ou pela Internet. E tudo acontece
sempre muito rápido.
Você costuma utilizar a Lista de sites Favoritos do seu navegador? Ao longo do
tempo, percebi que organizar nossos sites favoritos é a maneira mais prática de encontrar
com facilidade o que se procura.
Não basta selecionar o endereço em nosso navegador. É preciso montar uma árvore
bem estruturada, de fácil visualização.
Atualmente trabalho fora do Brasil e tenho que me manter atualizado sobre o que se
passa no mundo. Minha árvore de favoritos reflete essa minha necessidade de momento.
Você deve montar a sua de acordo com suas necessidades específicas.
Organizei um diretório chamado e-News, que pra mim significa notícias que estão
na Internet. Dentro desse diretório estão as pastas relacionadas ao assunto: a pasta News
Agency guarda todos os endereços das principais agências de notícia do mundo. Para
facilitar, separo por continentes. E, alguns casos, por países.
Tenho também um diretório para jornais do planeta organizado da mesma maneira.
Outro para rádios e outro para notícias de tecnologia. São apenas exemplos. Minha árvore
de favoritos tem dezenas de galhos e folhas e raízes. Quando mais navego, mais ela cresce.
Cuido, de vez em quando, de podar minha planta. Sites que não visito mais caem
fora. E, outras vezes (muitas) reorganizo minhas preferências. A gente sempre encontra
uma maneira melhor de fazer a mesma coisa.
Uso também outra ferramenta disponível nos navegadores: o livro de endereços.
Sempre que recebo um email de alguém interessante, peço que o computador guarde esse
endereço na minha agenda. E, sempre que possível, complemento esse endereço com outros
dados sobre a pessoa.
Procuro colocar todas as informações de que disponho. Escrevo na parte reservada a
outros, do Outlook Express, por exemplo: "Márcio da Silva é advogado do Banco Nacional
de Desenvolvimento Econômico e Social". Isso permite que eu possa encontrá-lo quando faço uma procura por advogado, por banco ou pelo nome. Facilita muito quando a gente
quer encontrar determinada pessoa e esqueceu como era mesmo o nome dela.
Utilizo o mesmo sistema com cartões de visita. Ao chegar de uma reportagem ou de
uma reunião passo as informações que estão no cartão de visitas para o livro de endereços.
Sempre com a maior quantidade de dados disponíveis sobre a pessoa. Dá um certo trabalho,
mas é fundamental para a nossa organização pessoal. Não se deve esquecer de fazer o
mesmo com a pessoa com quem falamos via telefone. Parece repetição desnecessária para
quem já tem conhecimento do dia-a-dia da profissão, mas não custa lembrar: um bom
repórter vale também por seu caderno de telefones. Online ou não.
Não tenha preguiça de passar os dados para o computador. É um trabalho que,
com certeza, vale a pena.
Esses recursos valem para o computador de casa e para o computador do trabalho, se
você tiver um email próprio dentro da empresa. Vale também se você tiver uma laptop,
equipamento utilíssimo para um repórter digital, mas nem sempre acessível.
Caso você trabalhe com acesso ao computador, mas sem direito a um email próprio,
a solução é usar provisoriamente algum email público, tipo Yahoo. Escolha um que tenha
recurso para importação dos endereços de seu caderno pessoal. Recomendo o do Gmail ou
Yahoo (de novo, mas sem merchandising), que vem com uma barra de navegação que avisa
quando chegam novas mensagens. Funciona também para os favoritos. Com a barra extra
instalada no seu browser, você pode salvar seus favoritos e encontrá-los sempre que abrir o
computador. Qualquer que seja o computador. É um jeito prático de levar sua organização
para qualquer lugar, mesmo que você não tenha um computador próprio.
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Características do Jornalista On-Line

Mensagem por Marcelo Rezende em 12/9/2009, 13:21

Ler muito, inclusive em inglês. Escrever bastante. Pesquisar. Operar planilhas
e editores de texto. Saber usar programas de email. Participar de fóruns e listas de
discussão... É preciso mais, muito mais. O novo profissional de comunicação online
precisa saber como filtrar conteúdo e colocá-lo na rede. Além de agente, ele também é
captador de informação na internet. E não é pouca coisa. Dados da empresa americana de
pesquisa Nemertes Research alertam para o congestionamento da banda larga, devido ao
excesso de informação disponibilizada na Web.
De acordo com José Antônio Meira da Rocha, jornalista e professor de jornalismo
online, um dos maiores desafios é saber filtrar a informação.
- Na era digital, o bom profissional de comunicação precisa separar joio do trigo,
tanto na apuração quanto nas novas ferramentas que aparecem todos os dias - disse.
Para Bruno Rodrigues, autor de 'Webwriting - Redação & Informação para a Web',
consultor em informação e comunicação digital, o profissional de comunicação precisa ter
curiosidade por todas as mídias, tanto tradicionais quanto digitais, e uma grande vocação
para lidar com a informação.
- Jornalista que não está imerso na evolução não tem futuro. Isso porque ele deve
pensar o conteúdo como algo único, mas multifacetado. Sua missão é adaptar a informação
às diferentes plataformas onde será veiculada - explicou.
Ninguém é pau para toda obra. A idéia de circular facilmente em todos os ambientes
de seu mercado de trabalho é falsa. Hoje, mais do que nunca, o profissional especializado
está sendo valorizado.
- O generalista me incomoda. É sempre aquele que diz que sabe de tudo um pouco,
mas não sabe nada profundamente. Na mídia digital, o mercado está de olho cada vez mais
no especialista - defende Bruno.
Tecnologia é forma, e não conteúdo
No jornalismo online, tanto se discute sobre convergência de mídias, mas o fato é
que os três pilares do jornalismo tradicional ainda são aqueles que valem. Muitas vezes,
objetividade, precisão e coesão acabam prejudicados pela ânsia de atualizar páginas e dar o
furo da reportagem antes dos concorrentes.
- A questão é que quanto mais elementos se quer usar, mais tempo demora a
produção do material jornalístico. Fazer texto e colar foto é rapidinho. Colocar áudio ou vídeo já demora bem mais. Fazer animações, então, pode levar vários dias e requer
habilidades específicas - afirmou Meira da Rocha.
E aqui também podemos incluir as áreas de mobile, marketing digital e agências de
publicidade. É preciso ficar atento nas necessidades do cliente. Ele precisa disso? Você
precisa disso? Restrinja as possibilidades e trabalhe em cima delas.
- Alguém já teve coragem de fazer o caminho oposto, encarar os grandes da
tecnologia e reclamar "ô amigo, o meu cliente, o meu leitor, precisa é disso, não dessas
miudezas, vamos parar de enrolar?"
O certo é que, mesmo na era digital, o bom jornalista continua bom jornalista, só
trabalhando mais rápido.
O jornalista José Antonio Meira Rocha, professor de jornalismo online em, listou as
habilidades inerentes ao novo profissional de comunicação.
1. Ler muito, inclusive em inglês.
2. Escrever bastante.
3. Pesquisar na internet e relacionar as informações encontradas.
4. Operar planilhas e editores de texto.
5. Operar programas de email e messengers.
6. Participar de diversos fóruns e listas de discussão.
7. Fotografar, manipular as fotos em programas específicos, distribuir as fotos em
fotologs.
8. Fazer e editar vídeos em celular ou câmeras domésticas, publicar e embutir estes
vídeos em páginas Web.
9. Gravar entrevistas com seu MP3 player ou celular.
10. Editar áudio digital e fazer podcast.
11. Contratar e instalar serviços em hospedagem internet (CMS, blogs, sistemas de
workgroup, fóruns, galerias de fotos).
12. Gerenciar um sistema gerenciador de conteúdo (CMS), blog, fórum.
13. Conhecer HTML o suficiente para fazer links ou modificar templates e skins.
14. Usar sistemas de anúncios tipo AdSense.
15. Assinar e gerenciar uma enorme lista de feeds RSS sobre sua especialidade.
16. Trocar arquivos em sistemas peer-to-peer ou de troca de grandes arquivos.
17. Fazer mashups, mapas e modelos 3D com Google Maps, Google Earth e Google
SketchUp.
18. Gerenciar, com diplomacia, comunidades de leitores.
19. Resolver pepinos e abacaxis em seu computador.
20. Estar sempre antenado com as tendências das mídias digitais.


Última edição por Marcelo Rezende em 12/9/2009, 13:58, editado 1 vez(es)
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O Arquivo de Notícias

Mensagem por Marcelo Rezende em 12/9/2009, 13:23

Por maior que seja a facilidade de
encontrar dados na internet, o jornalista faz
bom negócio ao manter em seu computador
uma base de notícias e textos para consultas
offline.
São poucos os profissionais
conscientes da importância de manter um
arquivo pessoal de notícias, seja em banco de
dados, planilha eletrônica ou, simplesmente,
arquivos e pastas dentro de outras subpastas
aleatórias no computador.
É recompensador encontrar, em fração
de segundos, uma estatística, reportagem,
pesquisa ou entrevista importante na hora de fechar uma matéria ou de preparar uma suíte
para uso posterior.
Com o sistema de busca do próprio Windows (ou Linux, ou MacOS) é possível
fazer maravilhas apenas procurando pelo nome dos arquivos ou por palavras-chave.
E o melhor de tudo: sem depender da internet. O principal motivo de “perder” um
pouco de tempo montando um arquivo pessoal é justamente não aumentar ainda mais nossa
aguda dependência da internet para pesquisas ou da base de dados interna da redação.
Hoje, com a maioria das redações e agências plugadas à rede por conexões em
banda larga, pode parecer perda de tempo manter um arquivo pessoal para consulta offline.
Não é. No caso de jornalistas free-lancers é duplamente importante, pois não há nenhuma
base de dados interna disponível para consulta.
O volume de informações inúteis disponíveis na web cresce vertiginosamente.
Filtrar tudo isso requer paciência, trabalho e dedicação.
Não obstante a polêmica sobre o assunto, jornalistas são também treinados para
filtrar notícias e separar o que merece ser publicado do que não merece. É mais que válido
usar esse treinamento para arquivar, digitalmente, conteúdo de qualidade que possa ser útil
um dia. E se daqui a cinco anos não for para você, tenha certeza de que será para algum
colega.
É como entrar em uma biblioteca e procurar por jornais e revistas de 30 anos atrás.
Pelo computador, fica muito mais fácil e rápido. Por que não ter uma mini–biblioteca
pessoal, que possa ser acessada a partir de um simples CD ou DVD?
O CD/DVD pode não guardar todas as bases de dados interessantes e necessárias,
mas grande parte ficará à distância de um clique e, um dia, quando você estiver lá onde
Judas perdeu as botas, vai agradecer por terem inventado o tal de gravador de CD/DVD.
Leve em consideração, ainda, que as notícias são baseadas todas em texto,
eventualmente com fotos ou gráficos pequenos. Em um único DVD você pode ter uma
superbase de dados para consulta em qualquer lugar, sem depender da internet, do
cibercafé. Com o DVD em mãos, qualquer notebook ou computador de mesa vira seu
melhor amigo.
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Fazendo uma Agenda de Fontes

Mensagem por Marcelo Rezende em 12/9/2009, 13:25

Para que seu desempenho como cyber
jornalista seja o melhor é preciso que você se
mantenha atualizado e com uma agenda de
fontes e de trabalho organizada.
Se manter atualizado significa saber o
que está acontecendo na sua área com
profundidade. E, mais, é preciso saber quem
está falando sobre determinado assunto. Quem
são as principais fontes de informação da mídia.
No meu trabalho como repórter,
encontrei um método prático de me colocar em
contato com as principais fontes do mercado financeiro: ao ler o jornais pela manhã (em
papel ou na Internet) anotava o nome das fontes que eu ainda não conhecia.
Odair Abate, economista-chefe de um banco americano disse que o mercado tal e
coisa. Anotava o nome, o cargo e a empresa e prosseguia a leitura. Em seguida, buscava na
lista telefônica o telefone da empresa e ligava para a assessoria de imprensa (quando existia
uma) ou para a pessoa com quem queria falar. Mesmo que não fosse conversar com ela
naquele momento, anotava todos os dados e acrescentava mais um nome na minha agenda.
Como já disse anteriormente, sempre cuidei de colocar informações precisas sobre a
pessoa. Odair Abate é uma boa fonte (na minha opinião). Isso auxilia no momento em que
precisamos, rapidamente, ter informações sobre algum acontecimento do mercado
financeiro.
No mercado financeiro, diga-se, tudo acontece muito rápido. E, realmente, Odair
Abate é um dos grandes profissionais da área e ótima fonte para jornalistas.
Assim, quando precisava encontrar alguém na hora do sufoco bastava procurar no
Outlook (Sem propaganda, ok? É o programa de email instalado na Folha de São Paulo,
certo?) economista. Ou banco. E lá aparecia minha lista com todas as fontes sobre o tal
assunto que eu estava procurando. Quando disponível, anoto até o nome da casa da mãe, da
namorada, do sítio ou da casa de praia. Enfim, todos os dados disponíveis sobre a pessoa.
Nunca se sabe...
Outra coisa que não se pode esquecer de colocar na agenda, principalmente em se
tratando de cyber repórter, é o endereço do site da empresa. Como é óbvio, esse é o
primeiro lugar que um jornalista digital deve procurar informações sobre determinada
empresa.
Os bancos, por exemplo, trazem relatórios importantes em seus sites. Análises que,
muitas vezes, geram notícias, servem como pautas ou, no mínimo, conduzem melhor uma
entrevista. Fica bem mais fácil partir para uma entrevista que tire dúvidas sobre um assunto
já estudado.
E atenção: tome cuidado com os dados digitados. Coloque o maior volume de
informações possível. Se o nome da empresa é Sabesp. Não basta anotar Sabesp. É preciso
escrever Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo. Um detalhe como este
pode ser a diferença entre dar uma notícia na frente do jornalista de outra agência ou ficar
para trás. Informação tem que estar completa e disponível rapidamente. Na hora que a gente
precisa.
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Agenda de Pautas

Mensagem por Marcelo Rezende em 12/9/2009, 13:25

Se o seu objetivo é estar sempre em dia com as notícias de sua área, você precisa
organizar sua cobertura. Mesmo que o chefe de reportagem tenha outros planos, você,
como repórter da sua área, tem que saber o que está acontecendo. Tem que ter sua própria
pauta.
Seu dia de trabalho precisa estar organizado cedo. Outro hábito saudável para se
cultivar é anotar datas de eventos, encerramento de prazos, lançamentos. Enfim, tudo que
puder ser pré-agendado. E sair da cama bem cedo.
Se estamos noticiando que o prazo para se fazer a declaração de renda começa hoje,
temos a obrigação de anotar em nossa agenda qual é o último dia. Se o prazo de
vencimento de determinado título no mercado é 10 de dezembro, temos que ter isso
anotado. Dá pelo menos uma nota, no dia.
Um bom cyber repórter tem que pensar por si. Não pode ficar esperando a pauta cair
do céu. Tem que estar atento.
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Listas de Debate

Mensagem por Marcelo Rezende em 12/9/2009, 13:27

Existem outras ferramentas importantes que um cyber repórter pode usar para estar
bem informado.
Vamos falar um pouco sobre as listas de discussão. Melhor seria dizer listas de
debate, mas o termo discussão virou lugar comum na web em português. Pois bem. Quem
navega na Internet com certeza conhece os grupos de discussão. Um fórum de debates
online onde cada um pode expor suas idéias e compreensões sobre os mais variados temas.
Existem porém grupos de discussão especializados para jornalistas online,
jornalistas ambientais, e assim por diante. Faço parte de alguns, mas três deles nos
interessam especialmente: o grupo de jornalistas ambientais, a Rede CTA, e de periodismo.
O interessante de um grupo de discussão é que podemos propor um tema. E
perceber a quantas anda o pensamento de nossos colegas digitais sobre o assunto. Isso nos
auxilia a forma nossa própria compreensão sobre determinado tema. E nos mantém
informado sobre a atuação do grupo.
Um exemplo? No final de 2008 fiquei sabendo via rede de jornalistas ambientais
que o governo queria aprovar sorrateiramente uma nova lei ambiental. A notícia se
espalhou rapidamente através da rede de ambientalistas e jornalistas ambientais. Em
pouquíssimo tempo estava sendo feita uma grande mobilização nacional (e global também).
O governo foi obrigado a recuar. É uma ferramenta de trabalho muito legal.
Quer outra utilidade? Dia desses uma colega jornalista do Sul do Brasil pediu
informações na lista para montar uma peça infantil. No mesmo dia, dezenas de colegas
deram idéias, indicaram endereços, pessoas, fontes. Tudo muito rápido e muito solidário.
Ao participar de uma lista de discussão sobre o tema que nos interessa podemos auxiliar
nossos colegas e também pedir um socorro. Quem sabe qual é aquela ONGs que trabalha
com bromélias na Serra do Cipó? Provavelmente alguém sabe e vai te informar.
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Ferramentas Úteis da Tecnologia

Mensagem por Marcelo Rezende em 12/9/2009, 13:30

A gente que trabalha com notícias online depende muito de equipamentos
eletrônicos, essas traquitanas que gravam, escrevem e transmitem dados. Dois deles são
equipamentos obrigatórios: o celular e o gravador. Realmente não dá para pensar em fazer
jornalismo digital compromissado com a velocidade sem um bom gravador e um bom
telefone celular.
É muito desejável que se tenha um notebook. O trabalho do repórter em tempo real é
fazer sua entrevista e colocar o material à disposição dos leitores o mais rápido possível.
Isso é válido especialmente para a área econômica no mercado financeiro. Uma notícia
pode, de verdade, alterar o mercado, mudar o comportamento da bolsa de valores ou títulos.
E quem tiver essa notícia antes pode se posicionar melhor diante dos fatos e, assim, obter
mais vantagens -- leia-se dinheiro. Não se pode vacilar.
Para ilustrar vou contar um caso interessante. Há alguns anos eu cobria a entrevista
anual com o presidente do Banco Bradesco. Repórteres de um lado da imensa mesa na sede
da instituição em Osasco, diretores do outro. Cheguei um pouco atrasado (é horrível, mas
foi o trânsito) e o senhor Presidente já falava. O Bradesco é o maior banco privado
brasileiro. Sentei-me quase na ponta da mesa e estava difícil ouvir o que ele dizia. Anotava
tudo e me esforçava para compreender o discurso.
Em determinado momento ele diz algo assim: "sendo assim, estou informando aos
senhores que deixo a presidência do banco e estou indicando fulano de tal para o cargo...."
Meu coração disparou. Então não era só uma reunião de diretoria? Meu Deus, isso é
notícia! Não tive dúvida. Tirei o celular da bolsa e rapidamente fiz contato com a Agência
Folha. E comecei a falar: "O presidente do Bradesco anunciou há pouco que deixa o
cargo..." Quebrei a formalidade da reunião. Quando os colegas me viram falando (segundos
depois, claro) voou papel para todo lado. Todo mundo ligando para suas agências.
Ao meu lado estava um dos vice-presidentes do Bradesco, que acompanhou de perto
o trabalho e me passou a ficha completa do novo presidente. Assim que passei a primeira
nota, já entrei com a segunda dizendo o nome e quem era o novo presidente da instituição.
Tudo muito rápido mesmo. E essa era mesmo uma notícia que mudaria o mercado não só
naquele dia.
O que facilitou meu trabalho? Um telefone celular digital, com bateria bem
carregada e números pré-programados para discagem automática. É um detalhe, mas um
detalhe que nos faz ganhar tempo.
Existem outros casos, porém, que um celular digital não basta. O tempo de
entrevista é curto demais. Não há como anotar e temos que ficar desviando dos câmeras de
TV.
Atualmente os gravadores de fita praticamente perderam seu uso. Os gravadores
digitais apresentam bateria de maior duração, mais tempo de armazenamento e melhor
qualidade no áudio. Não tente economizar na hora de comprar um bom gravador. Gastar
um pouquinho menos nisso (se sua empresa não providenciou um) pode comprometer o seu
trabalho. Não vacile. Aquela tal palavra importante que deveria estar no título saiu
grururugututca. E aí? Como é que se faz? Aciona a rede de colegas. Algum gravador
gravou a tal palavra certa, não é mesmo? Não se preocupe: outro dia será o seu gravador a
gravar direito e você poderá pagar a gentileza do amigo. É assim que acontece.
E atenção: identifique seu gravador e seu celular. No meio da confusão é bem fácil
levar o gravador do seu colega de trabalho e ele ficar com seu celular. Um adesivo da
empresa em que trabalha resolve o problema.
Se sua empresa fornece uma ou se você já conseguiu juntar o suficiente para investir
num notebook, sinta-se feliz. É uma boa ferramenta. Um equipamento como este conectado
à Internet ou com acesso direto aos computadores da empresa pode ser muito útil. Ele
funciona bem quando já passamos o material principal de um determinado assunto.
Mais prático do que ficar pendurado ao telefone para passar a matéria para seu
colega de redação, é sentar em um cantinho e produzir o texto final. Conectado à internet,
em segundos seu texto está pronto para ser enviado aos leitores. Perde-se um pouco de
tempo para digitar e enviar, mas esse tempo é recuperado no momento de colocar o texto na
rede.
O notebook é também útil quando se cobre um grande evento, como feiras e
exposições, onde somos obrigados a ficar um (ou muitos) dias no mesmo local. Disputar
espaço com zilhões de colegas nas improvisadas salas de imprensa (algumas muito legais,
diga-se) não é definitivamente uma boa. Com seu equipamento, você pode trabalhar
melhor, consultar seus próprios arquivos e enviar o material rapidamente para a redação.
Uma boa providência é fazer o arquivo de suas matérias no próprio computador.
Voltando ao caso da máquina fotográfica digital. É, sem dúvida, um bom recurso.
Mas não para o dia-a-dia do jornalismo digital econômico, onde a foto não faz a diferença.
E fotografar tiraria a atenção do repórter, obrigado a se concentrar muito para conseguir o
máximo de seu trabalho.
Num trabalho na agência de notícias do governo angolano (www.angolapressangop.
ao) utilizamos fotógrafos para fazer as fotos das reportagens. O que libera o repórter.
Nada impede, porém, que em matérias que podem ser feitas com mais tempo, sem
compromisso com a velocidade, o próprio repórter seja o fotógrafo. É uma experiência
interessante.
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Viajando com o Notebook – Dicas Úteis

Mensagem por Marcelo Rezende em 12/9/2009, 13:32

É muito comum que um jornalista
online precise viajar com seu material
eletrônico. Um deles merece destaque – o
Notebook.
Cada vez mais as estatísticas são
exageradamente ruins para notebooks de
turistas e viajante. Segundo o Gartner
Group, um portátil é roubado a cada 53
segundos. Quase inacreditável!! Então,
quais os cuidados que você deve ter?
Vamos começar pelo backup.
Muitas vezes os dados armazenados no notebook valem muito mais do que o próprio
hardware. Assim o backup deveria ser uma rotina. Se este não é o seu caso pelo menos faça
uma cópia completa dos dados armazenados no micro antes de sair de viagem. Você pode
utilizar um HD externo ou discos de DVD. É claro que você deve deixar as cópias de
segurança em casa antes de viajar.
Não se esqueça de que os dados que estão armazenados no notebook também são
um risco para sua segurança. Para a proteção destas informações, caso o notebook seja
roubado você pode utilizar ferramentas de proteção e criptografia como o Cryptainer.
Muito cuidado com Aeroportos. Eles rapidamente se tornaram uma espécie de
"buraco negro" para estes equipamentos, principalmente para os apressados para pegar o
próximo vôo. Imagine as longas filas para embarque com turistas apressados para não
perderem seus vôos. Cenário perfeito para o desaparecimento dos pequenos computadores.
Nunca despache seu computador junto ou dentro das malas, este tipo de
equipamento deve ser sempre levado com você. Além do risco de roubo ainda existe a
chance de ele ser extraviado ou danificado no transporte.
Transporte o notebook com cuidado, evitando trepidações e pancadas. Escolher uma
boa maleta é fundamental para proteção em caso de quedas. Procure uma mochila com
alças reforçadas e cintos para manter o produto bem firme durante o trajeto.
Ao chegar ao destino, outro cuidado está em onde você deixa o notebook enquanto
visita os pontos turísticos. Se o quarto ou o hotel possui um cofre, não pense duas vezes
para utilizá-lo.
Tenha atenção ao fazer acesso a redes sem fio públicas, seu computador e seus
dados podem estar em perigo.
E por último, mesmo que você não leve seu notebook, muito cuidado com acesso à
Internet por computadores públicos. Nunca se sabe por onde eles navegaram e se foram
infectados por vírus.
Cuide do seu micro e tenha uma excelente viagem.
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O Jornalismo Online complementando o Impresso

Mensagem por Marcelo Rezende em 12/9/2009, 13:44

O crescimento e a popularidade da Internet - especialmente entre os mais jovens -
tornaram os editores de jornais e revistas cada vez mais hesitantes quanto ao futuro de seus
negócios tradicionais. Obviamente, eles podem e deveriam estar caminhando rumo à
editoração via Internet com grande ímpeto - como oportunidade de crescimento e
compensação pelas futuras perdas de faturamento ou falta de crescimento nas publicações
em papel que administram.
Mas os jornais e as revistas em papel não vão seguir as pegadas dos dinossauros a
curto prazo. Os consumidores continuarão a ler periódicos em papel por muitos anos,
mesmo que seu consumo de mídia online, digital, se expanda sensivelmente. No entanto, os
jornais e revistas em papel não se parecerão muito com a sua forma atual. As publicações
em papel terão de mudar sua aparência e a forma pela qual publicam suas informações.
Crescente número de publicações em papel vêm de fato mudando radicalmente seus
projetos gráficos, em reação aos desdobramentos na mídia digital e na Internet. Vamos
estudar suas orientações, e como as publicações em papel do futuro (não muito distante) se
apresentarão -de que maneira os periódicos em papel se adaptarão ao nosso mundo cada
vez mais digital.
Para onde estamos indo
Ao projetar a publicação em papel do futuro, vamos começar com a suposição de
que o acesso à Internet no futuro estará em todos os computadores do mundo ou quase isso.
A maior parte dos usuários domésticos e dos empresários estarão conectados
permanentemente, com acesso de alta velocidade e banda larga à Internet em seus
computadores domésticos ou estações de trabalho. E o acesso à Internet se expandirá a uma
série de outros equipamentos, como o televisor, os telefones digitais domésticos dotados de
telas, os telefones digitais portáteis, os aparelhos portáteis de leitura (modelos mais
sofisticados dos leitores de livros eletrônicos já disponíveis) e os organizadores pessoais
manuais mais sofisticados, etc.
Para os consumidores será bastante comum empregar o computador pessoal ou outro
aparelho conectado à Internet a fim de estudar catálogos eletrônicos e encomendar
produtos. Os dias de procurar anúncios em jornais e depois ir a um shopping center
comprar o produto estarão pelo menos em parte encerrados, para uma grande proporção da
população.
Os jornais servirão a um propósito relativamente diferente do que serviam no
passado. Você quer saber o resultado de um jogo beisebol que acabou há pouco tempo?
Ligue seu celular, não abra um jornal. Precisa de um cupom de desconto para comprar
roupas na loja de departamentos? Apanhe-o no site da loja e o imprima, em lugar de cortálo
de um jornal. Quer o horóscopo do dia? Consiga-o pelo telefone, via e-mail ou pelo
televisor, não no jornal em papel. Notícias urgentes? Diversos sites na Web cuidarão dessa
necessidade. E assim por diante.
O que a Internet está fazendo, na verdade, é dar aos consumidores outras opções,
mais atraentes, para obter informações que costumavam conseguir nos jornais. Embora isso
não ameace a existência dos jornais (no geral), vai reduzir o tempo que os consumidores
dedicam a eles.
Tendência semelhante afeta as revistas. Uma revista de interesse especial, digamos
que sobre esqui, agora tem de competir não só com todas as outras revistas sobre o esporte
como também com os sites de esqui na Web e com os portais que competem pelo tempo
dos esquiadores quando não estão descendo as encostas.
Empresas de projeto gráfico ocupadas
Tudo isso afeta as publicações em papel, à medida que elas tentam compreender
como alterar seu projeto gráfico e de informações a fim de se enquadrar nesse novo
ambiente de mídia. Mario Garcia, um importante consultor sobre design de notícias, na
mídia impressa e online, que mais recentemente reprojetou a edição européia do "The Wall
Street Journal", diz que está testemunhando "um ritmo de atividade tremendamente rápido
(reformas de projeto e lançamento de novas publicações) na mídia impressa tradicional...
Estamos vendo atividade no setor de mídia impressa que não tem comparação".
Boa parte disso pode ser enquadrado na categoria "estratégia de sobrevivência" -
empresas de mídia impressa reconhecendo que o crescimento da mídia da Internet significa que é preciso que modernizem suas operações e ofertas a fim de atender às mudanças de
expectativa dos consumidores nesse mundo conectado.
Na opinião de Garcia, o consumidor de amanhã usará mais tipos de mídia. "O futuro
pertence aos usuários que viverão em um ambiente multimídia", diz. "Eles lerão na tela e
no papel". Trata-se de um ponto importante a considerar para as empresas de mídia
impressa. As editoras atuais desse ramo não podem operar em um vácuo; é preciso que
reconheçam que os consumidores cada vez mais usarão outras formas de mídia, incluindo a
Internet.
"Os editores inteligentes", diz Garcia, garantirão que seus usuários vão de uma para
outra mídia em que operam, enfatizando os pontos positivos de cada mídia e cruzando-as
sempre que possível. De uma certa maneira, a Internet está transformando a página
impressa de uma unidade auto-contida em uma espécie de "índice" ou diretório para outras
fontes de informação.
Parte da influência da Internet se baseia na maneira pela qual as pessoas a empregam
- primordialmente como um meio de encontrar alguma coisa. A Internet como "índice" ou
"diretório" é uma idéia que está encontrando espaço na mídia em papel. Assim, estamos
começando a ver novos projetos para a mídia impressa contendo mais elementos do que no
passado, e muitos desses elementos são indicadores para informação disponível em outros
lugares que não a página impressa.
Roger Black, um renomado designer de publicações em papel e na Web e agora
trabalhando como diretor de criação da consultoria Circle.com, classifica esses elementos
como "transações de informação". A Web, diz ele, criou nos consumidores a expectativa de
que visitarão o site (ou a publicação), encontrarão a informação de que precisam e irão
embora. As publicações em papel deveriam pensar, igualmente, em oferecer recursos de
informação rápida que os leitores possam empregar.
Uma transação de informações pode ser uma referência a outra mídia - digamos, na
resenha de um filme, instruções sobre como encontrar um cinema perto de você em que ele
esteja sendo exibido, via um banco de dados online - mas pode também ser simplesmente
uma versão condensada de uma reportagem. Uma manchete e parágrafo de abertura
ampliado, por exemplo, ou o resumo de um artigo podem servir aos leitores que têm pouco
tempo, dando-lhes informações importantes rapidamente.
Em relação a esse ponto, Black acredita que a "folheabilidade" é uma característica
que pode salvar as publicações em papel na era da Internet. Reconheça que os leitores já
não passam tempo quanto costumavam lendo uma página em papel, e que muitos deles
simplesmente folheiam as páginas em lugar de se concentrar em reportagens individuais.
As páginas impressas deveriam conter blocos de informação mais curtos e densos, com
texto colorido ou destacado para atrair a atenção aos pontos principais etc. Esse é mais ou menos o mesmo conselho que os operadores de sites na Web recebem dos especialistas em
design. Portanto, estaremos vendo mais projetos gráficos nas Web sob pesada influência
das tendências de design de páginas da Web.
A necessidade de profundidade
Embora os designers insistam junto às editoras para que estas ofereçam mais
elementos em suas páginas e mantenha-os curtos, isso é apenas metade da história. Um
jornal ou revista composto apenas de pequenas porções de informação seria em última
análise insatisfatório para a sua audiência.
Para a mídia impressa na era da Internet, ainda é a profundidade de cobertura, a
análise e a perspectiva que mantém os leitores interessados. Mas o que mudou hoje (e
continuará mudando no futuro) é a maneira como as reportagens em profundidade são
apresentadas. No passado, uma série de reportagens investigativas por um jornal incluiria
uma longa matéria principal, um ou dois destaques laterais, um gráfico e algumas fotos. O
jornal moderno, influenciado pela Internet, dividirá esse pacote de cobertura em
profundidade em pedaços menores, com maior densidade de informação.
Conselhos para a mídia impressa
Para resumir, eis alguns conselhos cruciais sobre como fazer com que sua
publicação em papel funcione melhor na era da Internet:
Reconheça que os leitores de mídia impressa dedicam menos atenção
a ela, e que têm mais opções de mídia do que no passado, e projete sua publicação
levando isso em conta.
Torne suas páginas mais "folheáveis", usando técnicas tipográficas e
de projeto gráfico que chamem a atenção dos leitores a informações essenciais.
Ofereça mais elementos de informação em suas páginas -não apenas
uma série de longas reportagens. Os elementos mais poderosos são aqueles que
estimulam o leitor a agir.
Ofereça cobertura em profundidade ou análises que os leitores não
serão capazes de encontrar quando forem procurar por notícias online. Dê-lhes algo
diferente do que podem conseguir na Web.
Aproveite suas relações com outros veículos de mídia (especialmente
os controlados pela mesma companhia). As publicações em mídia impressa
deveriam incluir com a maior frequência possível "links não ativos" para conteúdo
suplementar ou complementar relevante que se possa localizar online.
Aceite o fato de que sua revista ou jornal em papel é apenas uma das
peças do quebra-cabeças da informação que os consumidores de informações do
futuro estarão montando. Tente orientá-los em meio a essa cultura rica em
informações, em lugar de tentar manter a atenção exclusiva deles -uma causa
perdida em um ambiente de mídia onde as opções disponíveis para todos os
usuários são tantas.


Última edição por Marcelo Rezende em 12/9/2009, 14:38, editado 1 vez(es)
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Como preparar Jornais Online para notícias Urgentes

Mensagem por Marcelo Rezende em 12/9/2009, 13:47

Hoje em dia, a maior parte dos executivos de sites aceita
que colocar online notícias de crises ou desastres importantes
rapidamente é a prioridade noticiosa número um. O público
usuário da mídia online se acostumou a esperar que os sites de notícias na Web ofereçam
cobertura instantânea de eventos importantes. Esse é o caso especialmente quando ocorre
um desastre na área em que a organização noticiosa está instalada - nessas ocasiões,
pessoas de todo o mundo, além dos cidadãos locais, correm aos sites locais de notícias.
Eis alguns conselhos para os sites de notícias, para ajudá-los a estar preparados
quando o inevitável tornado, furacão, terremoto, tiroteio ou outro evento lastimável ganhar
manchetes nacionais e colocar vocês e suas organizações noticiosas locais sob os holofotes
internacionais.
Tenham a equipe editorial pronta
A maior parte dos sites noticiosos, especialmente os associados aos jornais e às
operações noticiosas da televisão, têm equipes de reportagens modestas, ou sequer as têm, e
por isso precisam depender dos repórteres de suas matrizes para obter conteúdo noticioso.
Quando ocorre uma crise, isso é difícil porque os repórteres terão seu tempo ocupado
cobrindo o evento para a mídia tradicional e terão pouca disponibilidade de trabalho para
fornecer cobertura atualizada rapidamente ao site na Web.
Mas é possível reconfigurar uma redação para fornecer reportagens originais para a
Web, como demonstra o "Fort Worth Star-Telegram". Os executivos desse jornal
aprovaram um plano de crise para o site que inclui o empréstimo temporário de redatores e
editores da versão em papel ao site a fim de obter colocar informações sobre crises na Web
o mais rápido possível, e que instrui os repórteres da versão impressa a contribuir com toda
a informação que obtiverem para os esforços online.
Outra estratégia é estar preparado para transformar produtores da Web em
repórteres em momentos de crise. Não dependa integralmente da redação tradicional;
coloque o pessoal de sua equipe online nas ruas junto com os repórteres de mídia impressa
ou TV e rádio. Isso significa que quando contratar produtores e outros profissionais online,
é preciso garantir que eles tenham sólida experiência de reportagem, mesmo que na maior
parte do tempo seus trabalhos sejam internos.
Se você tiver dinheiro...
É claro que a situação ideal é seguir o exemplo de organizações como o "Chicago
Tribune", que contratou toda uma equipe online exclusiva para cuidar de notícias locais
urgentes. Caso surja um grande desastre na área de Chicago, o ChicagoTribune.com tem
uma equipe considerável de repórteres prontos a escrever exclusivamente para o site na
Web. Acrescente-se ao trabalho deles notícias reaproveitadas dos repórteres do jornal e o
site passa a ter uma cobertura em profundidade sobre o desastre que ninguém mais no
mercado é capaz de equiparar.
Esteja preparado com fóruns de discussão sobre desastres
Seu site deve estar pronto para abrir fóruns de discussão em prazo muito curto. Para
um desastre em que número considerável de pessoas tenham sido mortas, surgirá demanda
considerável dos usuários por um meio de expressar suas condolências às famílias das
vítimas, fazer ofertas de ajuda etc. Outro fórum deve ser oferecido para permitir que as
pessoas que tenham informações e notícias sobre o acidente as divulguem; os repórteres do
site precisam ficar de olho nas mensagens ali postadas. E outro fórum ainda, para
discussões gerais, precisa ser providenciado.
Lembre-se: esses fóruns podem ser uma grande fonte de dicas para seus
jornalistas.
Fóruns de discussão organizados tematicamente são provavelmente o melhor
formato para um cenário de crise ou desastre, mas também se pode estabelecer listas
temporárias de discussão via e-mail.
Falando em e-mail, considerem estabelecer um boletim temporário de notícias via email.
Os visitantes do site poderiam assinar o serviço via um formulário na Web, e
passariam a receber novas informações via e-mail à medida que estas fossem surgindo.
Reportagens completas ou apenas resumos acompanhados de um link para o site podem ser
enviados. Seria uma grande maneira de atrair tráfego a um site.
Estabeleça relacionamentos
Os centros locais de operações de emergência são muitas vezes o centro da ação e
da informação durante desastres. Operações noticiosas na Web deveriam garantir que seus
jornalistas conheçam o pessoal do centro de operações de emergência para que, quando
surgir a necessidade, seja fácil obter cooperação. Não deve ser uma tarefa difícil, porque
sites na Web podem transmitir informações de emergência ao público muito rapidamente -o
que satisfará os funcionários do centro de emergências.
Comunique-se bem
Durante um desastre local, as linhas telefônicas podem cair e torna-se difícil manter
a comunicação com os repórteres no local do desastre. As equipes noticiosas online
precisam garantir que seus jornalistas disponham de telefones celulares, ainda que em caso
de desastre meteorológico o serviço de telefonia móvel possa sair do ar no local. É preciso
garantir que você disponha de um sistema de comunicações de emergência - rádios-telefone
portáteis, por exemplo - e que a equipe online tenha aceso ao equipamento. (muitas
organizações noticiosas já dispõem desse tipo de recurso. Agora que notícias instantâneas
na Web são prioridade, as equipes da Web também devem ter acesso a eles.)
Geradores, lanternas
Alguns desastres locais têm grande chance de cortar a energia de seu prédio. Parece
óbvio, mas sua organização noticiosa deveria ter um gerador elétrico de emergência. Se
você está em uma área propensa a terremotos, furacões ou tornados e não dispõem de fonte
de eletricidade de emergência em sua sede, talvez não esteja levando tão a sério sua função
de fonte de notícias locais.
Tipicamente, os geradores de emergência só fornecem energia a determinadas
tomadas. Garanta que todos os equipamentos essenciais à sua operação online estejam
conectados às tomadas que funcionarão com o gerador de emergência. (Se as tomadas
conectadas ao gerador só funcionam quando ele é ativado, garanta que todo o equipamento
essencial esteja conectado a tomadas perto das fontes de emergência.) É preciso também
lembrar de conectar os recarregadores de baterias para os celulares a tomadas ligadas ao
sistema de emergência.
Muitos desastres deixaram redações às escuras, com geradores operando
equipamento essencial como computadores e impressoras - mas não a luz. Garanta que haja
lanternas e pilhas em profusão à mão.
Aprenda com os desastres passados
Por fim, quando um desastre atingir sua operação de notícias na Web, e sua
organização precisar entrar em modo de crise, depois que as coisas se acalmarem analise o
desempenho de sua equipe e dos sistemas alternativos. A melhor maneira de aprender como
lidar com cobertura de desastres online é passar por um deles e ver o que é preciso fazer
diferente da próxima vez.
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Um caso de Sucesso – O Jornalismo Online na Rússia

Mensagem por Marcelo Rezende em 12/9/2009, 13:52

Não é de hoje, com o advento das redes sociais, que os
contatos, ainda mais no meio jornalístico, podem nos render boas
histórias e informações. Foi com esse espírito que pude conhecer um
pouco mais sobre o cenário de jornalismo online na Rússia, um
mercado bem diferente do brasileiro em alguns pontos, mas com veículos virtuais sólidos e
amadurecidos como os nossos.
Igor Belkin, de 22 anos, é um dos responsáveis pela produção de notícias no
Lenta.ru, portal noticioso com sede em Moscou, na Rússia. O Lenta.ru é considerado uma
das fontes de informação online em língua russa mais populares, registrando atualmente
cerca de cem mil visitantes por dia.
Logo no início, um ponto curioso: Belkin explica que não é necessário ser jornalista
para se trabalhar com notícias em um jornal online na Rússia, e conta que no Lenta.ru,
atualmente, não há nenhum jornalista profissional. Como é a realidade disso? Em
entrevista, Belkin contou um pouco sobre o site onde trabalha e sobre o cenário de
jornalismo online na Rússia.
A propósito, terminei o bate-papo oferecendo-me como fonte de informação sobre o
Brasil, e ele pareceu bastante interessado. A partir daí fica mais claro entender porque a
Internet é uma rede de pessoas, e não de computadores. Vamos ao papo...
PERGUNTA - Como foi seu ingresso no jornalismo online?
Belkin - Eu tive um blog por três anos, sobre assuntos relacionados à Tecnologia da
Informação. Fui convidado pelo Lenta.ru graças a esse blog. Assim foi meu ingresso.
PERGUNTA - E há quanto tempo você trabalha no Lenta.ru?
Belkin - Há mais de dois anos.
PERGUNTA - Qual a sua posição na empresa?
Belkin - Bem, há dois anos eu fui responsável pelo nosso departamento de TI, que
cuida das notícias sobre Internet e assuntos relacionados à tecnologia, incluindo games,
mas há alguns meses eu me dei conta de que não queria mais saber de notícias de
tecnologia e decidi tornar-me um editor regular. Atualmente, meu trabalho é redigir
notícias de última hora (breaking news), algo que precisa ser feito rápido, como noticiar a
queda de um avião. Então, basicamente eu redijo sobre tudo, menos tecnologia.
PERGUNTA - Você simplesmente decidiu mudar de editoria dentro da empresa? É
simples assim?
Belkin - Bom, não é tão simples assim, mas basicamente foi isso.
PERGUNTA - Bem, você trabalha com notícias de última hora. Iso requer muita
cautela com questões como boa escrita e veracidade da informação. Estas questões são uma
preocupação constante para o veículo?
Belkin - Sim, sem dúvida. É preocupação constante.
PERGUNTA - Existem muitos jornalistas na Rússia que trabalham com jornalismo
online?
Belkin - Você diz jornalistas profissionais? Não. Pelo menos na Lenta.ru,
atualmente, não há nenhum. É engraçado. Algumas pessoas que fizeram faculdade de
jornalismo na Universidade Estadual de Moscou (MSU) e em outras universidades russas
não se mostraram adequadas para o trabalho. Nosso editor-chefe é um médico. Seu
assistente é um linguista. Existem ainda historiadores e economistas. E nenhuma dessas
pessoas estudou jornalismo em uma faculdade.
PERGUNTA - O que é um fato bastante curioso, pois, no Brasil, em teoria, uma
pessoa precisa ser jornalista para trabalhar com notícias em um portal de informação. Pelo
jeito, isto não é uma regra na Rússia, certo? Como é o processo de contratação?
Belkin - É um processo longo e árduo. Primeiro, temos um teste. Qualquer um que
deseja trabalhar para nós deve fazê-lo. Se o candidato se sair bem nesse teste, chamamos
ele para conversar pessoalmente conosco. Que tipo de teste, você vai me perguntar agora...
(risos).
PERGUNTA - Com certeza (risos). Que tipo de teste? Que habilidades as pessoas
precisam ter?
Belkin - Sobre o teste, quando algo grande acontece, diferentes agências e jornais
contam sobre o que aconteceu de diferentes formas. Então, a primeira tarefa consiste de
notícias fictícias pinçadas de diferentes fontes falsas. Por exemplo, uma dessas fontes é
uma agência de notícias pró-Kremlin, outra se parece mais com um jornal liberal, e uma
terceira seria um insoço jornal de negócios que apenas noticia quanto dinheiro está
envolvido na situação. Nosso candidato deve construir um texto sólido baseado em
informações de todas as três fontes. Se ele consegue fazer isso da maneira que esperamos,
sem expressar pontos de vista pessoais, então ele passa para a próxima tarefa, que é traduzir
e reescrever uma notícia em inglês escolhida por nós. Passado isso, chega a terceira e
última etapa, onde o candidato precisa encontrar seis notícias em duas regiões: Nova
Zelândia e Novosibirsk [terceira maior cidade da Rússia, atrás de Moscou e de Saint
Petersburg]. Mas volto a dizer, não é um processo simples.
PERGUNTA - Todo esse processo de contratação que você explicou é geralmente
similar em outros veículos online russos?
Belkin - Não sei dizer, mas imagino que nossos colegas de outros veículos não
contratem pessoas apenas olhando seus currículos (risos).
PERGUNTA - Existe algum estrangeiro trabalhando no Lenta?
Belkin - Existem alguns cidadãos da antiga União Soviética. Mas, no geral, não.
PERGUNTA - Quais são os principais concorrentes do Lenta.ru em termos de
audiência? Quais os principais jornais online da Rússia?
Belkin - Os principais concorrentes são Gazeta.RU, Newsru.com e RBC.
PERGUNTA - Como é o negócio de jornalismo online na Rússia? Todos esses
principais sites de notícias possuem escritórios bem estruturados?
Belkin - Bem, em 2006, quando cheguei aqui, nosso escritório parecia com
qualquer coisa, menos com uma redação bem estruturada. Mas agora está melhor, bem
mudado.
PERGUNTA - A publicidade é algo bem explorado neste cenário de notícias
online? Podemos dizer que a publicidade online na Rússia é um campo já sólido?
Belkin - Creio que eu não seja a melhor pessoa para responder isso, mas sei que esta
área está em constante desenvolvimento e que as vendas [de espaço publicitário] crescem a
cada ano.
PERGUNTA - Atualmente, qual a importância do jornalismo online na Rússia
comparado aos meios tradicionais (jornais, televisão, rádio, revistas...). Televisão também é
um fenômeno na Rússia?
Belkin - Tenho aqui alguns números fornecidos pelo Centro de Pesquisa de Opinião
Pública da Rússia (Wciom). Em termos de consumo de notícia, apenas 13% escolhem o
meio online, enquanto 31% ainda lêem jornais tradicionais. A grande maioria assiste
notícias pela TV. É sim um fenômeno.
PERGUNTA - Eu li no ano passado uma matéria falando que os inúmeros Blogs da
Rússia possuem poder de influência maior do que a mídia. Você concorda? Como é essa
realidade?
Belkin - Bem, algumas vezes os blogueiros, digamos, acertam, apenas isto. E
muitos blogueiros populares atualmente trabalham para a mídia. Mas nenhum pode
competir com uma agência russa distribuidora de notícias. O numéro de visitantes é
incomensurável.
PERGUNTA - E em termos de influência? Blogueiros são influentes em períodos
como eleições presidenciais?
Belkin - Claramente penso que não.
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Re: [Tutorial]Jornalismo On- Line-parte 1

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